Tradição Tântrica



A  tradição tântrica oferece uma avaliação positiva dos domínios manifestos, que surgem todos dentro e como o Divino. Na verdade, os praticantes tântricos tentam se libertar das restrições do mundo dos opostos. Não buscam meramente escapar dos domínios manifestos, mas dominá-los a partir do ponto privilegiado da Auto-realização.

Os grandes iniciados do Tantra são todos mestres de dimensão sutil da existência - Georg Feuertein PhD Yoga Research Center - Os Tantras tem idéias firmes sobre as credenciais de um mestre genuíno, são igualmente específicos acerca das qualificações ou competência (adhikãra) de um bom discípulo (shishya).

Os tãntrikas compreendem que a energia sexual que entra no processo criativo não é a libido sexual, mas sim a muito mais fundamental energia Kundaliní-shakti, que pode se manifestar como funções físicas básicas, a ânsia sexual, a necessidade de compreensão de dominar os outros, o impulso criativo,  desejo de comunicação, a necessidade de compreensão e, finalmente, o impulso para transcender todas as ânsias e desejos possíveis. Estas sete formas de desejo estão associadas com os sete centros psicoenergéticos do corpo, o sétimo sendo um caso especial porque realmente supera o corpo-mente.O impulso por transcendência total, é considerado o ápice da hierarquia de necessidade e desejos. O motivo para isto é que acima da plena transcendência de todos os desejos parciais (com base nas ilusórias identidades do ego limitado), resgatamos nossa verdadeira natureza, o Self, que é repositório de todos os desejos e da sua realização.
Kundalini-Shakti: Na prática da pranayama, alongamos bastante a respiração. Desta maneira, os elementos do fogo e da água se reúnem, e este contato de fogo e água no corpo, com a ajuda do elemento do ar, libera uma nova energia, chamada de energia divina ou KUNDALINI SHAKTI é esta a energia do Pranã (energia vital) - B.K.S Iyengar
 PEDRO KUPFER TANTRA E OS YOGAS:
 1) Por que a palavra Tantra está tão relacionada a sexo e libertinagem?
      Por causa dos valores sexistas, hipócritas e distorcidos da nossa sociedade em relação à sexualidade. A civilização judaico-cristã é obsessionada com o sexo e incapaz de toma-lo como algo espontâneo ou natural. Uma prova clara disso é a invasão de imagens com forte apelo sexual nas capas das revistas, seja para vender produtos de beleza, seja para vender carros ou o que for. Outra prova é o fato que alguns autodenominados 'mestres' de 'Tantra', 'Yoga sexual' ou assemelhados fazem sucesso prometendo orgasmos infindáveis e iluminação e cobrando mundos e fundos por isso.
     Tantra é o nome de um vasto leque de ensinamentos práticos que têm como objetivo expandir a consciência e libertar a energia primal do ser humano, chamada kundaliní. O princípio comum a todos os caminhos práticos do Tantra é que as experiências do mundo material podem usar-se como alavanca para conquistar a iluminação, já que o este é a manifestação de uma outra realidade, sutil e superior, que está conectada com a nossa própria natureza.
Neste contexto, a visão do Tantra associada ao êxtase sexual é pateticamente superficial e parcial, se comparada com a verdadeira tradição. O Tantra não é hedonista nem orgiástico. O objetivo do Tantra é o despertar da força potencial no homem, e isso não é uma tarefa fácil nem que se possa conquistar dando prazer aos sentidos ou alimentando a sexo-dependência.
     2) É correto dizermos que alguns conceitos foram distorcidos ao longo do tempo?
     Não creio que essa tenha sido uma distorção temporal, mas cultural, que aconteceu aqui no Ocidente quando esses ensinamentos sagrados mudaram de contexto, embora hoje em dia haja distorção destes ensinamentos também na Índia. Ao tirar esse tipo de prática do seu contexto original para adaptá-la ao gosto ocidental, se corre o perigo de reduzir a busca da própria essência a um artigo de consumo, um "produto". Surgem assim adaptações, versões diluídas, para tornar o produto mais palatável e, conseqüentemente, mais vendável.
     3) Qual é a origem do Yoga tântrico?
     O Tantra é herança e patrimônio da cultura dos rios Indo e Saraswatí, no norte do sub-continente indiano, onde nasceram igualmente o Yoga e o hinduísmo. O culto da Grande Mãe está presente na Índia desde o neolítico (8000 a.C.), mas os mesmos símbolos que o tantrismo utiliza hoje remontam ao paleolítico (20000 a.C.) e estiveram sempre presentes ao longo do continente eurasiano.
      O Yoga tântrico assimilou e organizou os rituais da Deusa Mãe, transformando-os num método de emancipação que busca na psique humana a manifestação da própria força da Shaktí. Este movimento teve uma forte influência sobre a religião, a ética, a arte e a literatura indianas, havendo ressurgido com inusitada força entre 400 e 600 d.C., quando chegou a transformar-se numa moda que acabou por influenciar nos modos de pensar e agir da sociedade indiana medieval. Aqui ela se afirma, populariza e estende ainda mais, dando origem a um grande número de correntes e manifestações filosóficas, religiosas, mágicas e artísticas, algumas antagônicas.

 TANTRA INICIAÇÃO: No Shãradã Tilaka Tantra é dito: O Guru deveria conhecer não só os mantras e yantras, como também, ainda mais importante,  ter recebido o Self mais íntimo (adhyãtman) e portanto ter uma mente tranquila e estar plenamente realizado (siddha) (13.121-24).As autoridades tântricas enfatizam a importância de se adquirir um Mestre ou Guru que seja parte de uma linhagem de ensino estabelecida. As Divindades fornecem proteção para aqueles Mestres e discípulos que preservam a linhagem (panamparã que significa "um depois do outro"). Uma linhagem tântrica é como uma corrente elétrica contínua que não reduz sua força.Toda vez que um Mestre dá permissão a um discípulo para ensinar, isto significa que foi considerado competente e pode passar ensinamentos aos outros. O Mestre recorre ao seu conhecimento intuitivo do caráter e destino espiritual do discípulo e aos mapas tradicionais  para dar-lhe o nome dhármico e o seu mantra secreto. Os iniciados tântricos adotam plenamente  suas distinções funcionais do corpo, mente, força vital (prana), inteligência superior (vijnãna ou budhi) e bem-aventurança.O processo iniciatório é descrito tipicamente como envolvendo o que é chamado shakti-pãta, significando literalmente "descida do poder", vem a ser um descenso de graça, seguido no devido curso pela ascensão da kundaliní-shakti. A libertação é sempre o caso, e através do processo detonado pela iniciação, esta verdade despontará sobre nós quando a mente tiver se cansado de construir uma realidade alternativa. Até então, ou permanecemos capturados por completo na teia do grande poder limitativo, ou lutaremos para nos livrarmos gradualmente por meio da disciplina espiritual voluntária. 
A trilha tântrica é uma autêntica trilha intermediária que, pelo menos idealmente, cultiva o estado natural (sahaja) que jaz além de todas as idéias ingênuas acerca do prazer e dor. O Tantra busca expandir na vida cotidiana aqueles sagrados momentos nos quais entramos em contato com uma verdade mais ampla, um senso maior de ser, tal como se empenha em expandir momentos triviais de prazer até o ponto em que eles exibem sua verdadeira face, que é a felicidade. 
Padma Sherab - Tantra Yoga 
TANTRA é indulgência com conhecimento.
"Uma oferenda de amor de uma alma esforçadaque é oferecida a Mim com amorseja uma folhauma flor, fruto ou águaEu comerei" -- Bhagavad-Gitã (9.26)
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